E porque esse nome representa tão bem nossa ideia.
Uma resposta rápida e direta:
É um dicionário de linguagem figurada mnemônico multimídia.
O vídeo abaixo pode lhe dar um breve resumo:
Uma resposta mais didática e compreensível:
É uma plataforma cujo propósito é o de ajudá-lo a entender como funciona a mente dos falantes nativos de qualquer idioma (incluindo você) e a descobrir como e porque conseguem ser capazes de memorizar tantas expressões e palavras com tamanha riqueza de significados e conteúdo sem ter de depreender um esforço hercúleo para tal.
O segredo reside na exploração da linguagem figurada presente no aspecto semântico de qualquer língua. Isso mesmo. Lembra das figuras de linguagem das velhas aulas de português do colégio? Metáfora, metonímia, prosopopeia, eufemismo, etc. Mas não se preocupe! Aqui não estamos nem um pouco preocupados com os nomes bizarros ou classificações atribuídas a cada uma delas. Pode ficar sossegado. Nosso foco centra-se nos arquétipos, isto é, no imaginário coletivo e nos modelos mentais que representam a explicação figurada na mente de cada falante de um determinado idioma.
Durante a etapa inicial deste ambicioso projeto, focaremos primeiramente na língua inglesa para o público lusófono por conta da ampla demanda, por parte sobretudo de brasileiros, por maneiras de acelerar seu processo de aprendizado do inglês. À medida que a plataforma for adquirindo maior robustez, nossa ambição é a de estender os princípios aqui empregados para outros idiomas e difundi-los em meio a novos públicos falantes de outras línguas.
ATENÇÃO! Os tópicos a seguir explicam os princípios utilizados por Nemonic para ensinar idiomas de forma mais lúdica. Cada um dos tópicos em negrito abaixo compõem elementos constituintes desta ferramenta.
Foco em exemplos e não em definições (oposição aos dicionários tradicionais):
É curioso notar que os dicionários tradicionais focam nas definições em detrimento dos exemplos. Vejam a definição da palavra “mnemonic” no Free Dictionary:
No exemplo acima, chama a atenção o fato de que nenhum exemplo da palavra sendo empregada numa frase foi dado, apenas uma definição difícil de memorizar. Mesmo nos casos em que os dicionários online dão exemplos de frases nas quais a palavra em questão está contida, esses exemplos revelam-se na maioria das vezes simplesmente textuais, como no caso a seguir do dicionário online Merriam-Webster:
Nesse caso, apesar de ter sido dada uma maior ênfase ao exemplo (em comparação à definição), tal exemplo não se encontra ilustrado por nenhuma imagem ou por nenhum vídeo, recursos TOTALMENTE ACESSÍVEIS a dicionários eletrônicos online e que facilitariam a assimilação e a fixação das palavras por parte dos seus visitantes. Vídeos como estes a seguir poderiam ser incorporados aos dicionários eletrônicos online a fim de facilitar a assimilação de vocabulário:
A música cantada pelo professor no vídeo acima consiste num truque mnemônico em forma de canção que ajuda seus estudantes de medicina a se lembrarem dos efeitos da malária nos pacientes acometidos pela doença. Não concorda que esse exemplo foi muito mais eficiente para que você compreenda o significado de mnemonic???
O macete ensinado pelo professor no vídeo acima compõe mais outro truque mnemônico: “quando for emprestar dinheiro para um cliente, lembre dos 4 Cs: caráter, capacidade, capital e colateral”. “Colateral” nesse nicho significa garantia em forma de patrimônio. Esse truque mnemônico ajuda o emprestador a não tomar calote. Eis outro vídeo que exemplifica o significado de mnemonic muito melhor do que qualquer dicionário eletrônico online famoso por aí.
Um exemplo na sua própria língua materna: “jogar fora”:
Já parou para pensar que, para um estrangeiro, a expressão “jogar fora” à primeira vista pode soar um tanto sem sentido? Analisemos por partes: “jogar” nesse caso possui o sentido de arremessar. Mas e o “fora”? Fora de onde? Onde seria o “dentro” então? Percebe que não é óbvio para alguém não tão familiarizado com a língua portuguesa que “jogar fora” tem o sentido de “descartar” ou “jogar no lixo”? De modo semelhante, no inglês dizemos throw away que, ao pé da letra, equivale a “arremessar para longe”, quando lida fora de contexto. Contudo, se usarmos nossa imaginação, podemos imaginar uma cena de filme fictícia, na qual alguém ao querer descartar algum objeto, o arremessa com força para fora de sua casa ou para longe (away) do local onde se encontra. A partir do momento em que internalizamos essa cena mental, a memorização da expressão torna-se imediatamente mais intuitiva, pois passa a fazer sentido para nós!
Essa imaginação fértil que busca criar cenas imaginárias para justificar o significado de vocábulos do dia a dia é que faz a diferença na velocidade de aprendizado de alguém interessado em falar um segundo idioma. Ela explora o sentido figurado por trás de cada palavra empregada no dia a dia e ajuda os nativos a fixarem vocabulário a longo prazo. Esses truques mnemônicos também podem ser aprendidos pelos não nativos a fim de acelerar o processo de internalização das novas palavras que aprendem. Na verdade, não se trata de “aprender tais truques” mas sim de “reaprendê-los”, pois uma imaginação fértil é o instrumento que possibilita às crianças aprenderem uma nova língua rapidamente. Sendo assim, proponho que recordemos nossa infância e a época em que permitíamos que nossa imaginação guiasse nossa memória e em que pensávamos figurativamente.

Por que os tradutores eletrônicos online, como o Google Tradutor, mesmo com o advento da inteligência artificial ainda traduzem muito mal a linguagem coloquial (a do dia a dia e informal)?
A resposta é simples, algoritmos (mesmo os de I.A.) demonstram ter mais dificuldade em compreender e ajustar a linguagem figurada de um idioma para o outro. Por isso, devemos valorizar os tradutores humanos. Esse ofício não é nada fácil, sobretudo, em se tratando de traduções de textos literários, onde prevalece, muitas vezes, a linguagem conotativa ou figurada. Vamos lembrar que os legendadores de filmes, por exemplo, também são tradutores. Eles muitas vezes têm de adaptar piadas repletas de linguagem conotativa de uma língua para outra. Vejamos um exemplo: no filme “A little bit of heaven” (“Pronta para amar” no Brasil), estrelado por Kate Hudson, a personagem interpretada pela atriz descobre que está com câncer colorretal, ou seja no ânus. Num determinado trecho do filme a atriz brinca com a situação dizendo:
“Well, there was a pain in my ass, but then I just realized it was my mother.”
Em inglês, a expressão a pain in the ass significa, literalmente, uma dor na bunda. A expressão equivalente no português seria “um chute no saco” ao se referir a algo inconveniente e aborrecedor. É curioso que tanto a expressão a pain in the ass como a “um chute no saco” podem ser abreviadas como: a pain e “um saco”, respectivamente. No trecho mencionado do filme em questão, a protagonista brinca com as palavras dando uma conotação cômica à própria doença e afastando o sentimento da autopiedade.
Uma piada desse tipo, que brinca com as metáforas presentes no imaginário coletivo de uma língua específica, dificilmente consegue ser traduzida para outra, apenas adaptada. Deem uma olhada nesta brincadeira (prank) feita por um pedreiro anglófono com seu colega:
Agora a versão brasileira:
O que acontece é que a parte superior do rego quando à mostra é chamada de cofrinho por conta de sua semelhança o buraco de inserir moedas dos porquinhos (metáfora da língua portuguesa):
Já os anglófonos chamam a mesma coisa de buttcrack, ou seja, fissura da bunda, semelhante à greta de uma parede:
Essa diferença nas metáforas das duas línguas acabou conduzindo a brincadeira por 2 caminhos diferentes. O pedreiro anglófono “consertou” a fissura com argamassa e o brasileiro meteu uma moedinha no rego do colega conforme as metáforas presentes no imaginário coletivo de cada um dos idiomas.
Outro exemplo de adaptações contextuais em processos de tradução ocorre em trechos de livro onde há rima. Vejamos um trecho do livro The lord of the rings na língua original:
Hey dol! merry dol! ring a dong dillo!
Ring a dong! hop along! Fal lal the willow!
Tom Bom, jolly Tom, Tom Bombadillo!
Hey! Come merry dol! derry dol! and merry-o!
Goldberry, Goldberry, merry yellow berry-o!
Poor old Willow-man, you tuck your roots away!
Tom’s in a hurry now. Evening will follow day.
Tom’s going home again water-lilies bringing.
Hey! Come derry dol! Can you hear me singing?
Ei boneca! feliz neneca! dingue-dongue dilo
Dingue-dongue! Não delongue! Largue logo aquilo!
Tom Bom, jovial Tom, Tom Bombadillo.
Vem, linda boneca, bela neneca! feliz e bela,
Fruta d’Ouro, Fruta d’Ouro, linda amora amarela!
Pobre e velho salgueiro, esconde tuas raízes!
Tom tem pressa agora. Há noites e dias felizes.
Tom de volta de novo, nenúfares carregando.
Vem, linda boneca, bela neneca! Podes ouvir-me cantando?

Fica bem claro no poema acima que “há noites e dias felizes” não é uma tradução adequada para “evening will follow day“, contudo, nesse caso, o tradutor teve de arrumar uma solução criativa para o problema da rima do texto. Como manter a rima e o sentido do texto em línguas distintas? Quase sempre impossível. Daí vem o exercício de criatividade do tradutor humano.
No fim das contas e na realidade, o trabalho do tradutor acaba sendo o de um adaptador de contextos e metáforas. Agora, você consegue imaginar um computador fazendo algo do tipo? Talvez até sim, mas, infelizmente, ainda estamos longe dessa realidade. Para que um algoritmo seja capaz de realizar algo assim por conta própria, primeiramente, ele precisaria pegar uma representação metafórica emprestada do imaginário coletivo humano e usá-la como referência no processo de adaptação. Tal tarefa se revelaria desafiadora até mesmo para o modelo de inteligência artificial projetado por Demis Hassabis. No dia em que um algoritmo de I.A. desse tipo surgir, também será capaz de inventar piadas, uma vez que ambos os mecanismos brincam com os arquétipos da linguagem humana. A semântica figurativa, metafórica e repleta de simbolismo das línguas humanas ainda se apresentam como um grande mistério para a ciência.

Dessa forma, o campo da semântica conotativa talvez componha o aspecto mais humano da nossa inteligência Sapiens. Entretanto, longe de mim esteja a pretensão de duvidar que um dia um tradutor digital para a linguagem figurada mais eficiente que um humano possa aparecer por aí. Pode até ser que esse dia esteja bem próximo, mas posso afirmar com certa segurança que ainda não chegou, ao menos, não para a maioria de nós.
Percebe-se, portanto, uma lacuna crucial presente nos materiais didáticos idiomáticos: por que a linguagem figurada de cada língua não é catalogada e dicionarizada de forma esquemática como a maioria dos dicionários e livros didáticos? Não seria essa uma maneira mais lúdica e eficaz de aprender um novo idioma? Será que as crianças possuem maior facilidade para aprender um idioma estrangeiro justamente pelo fato de manterem viva a imaginação que alimenta a compreensão do imaginário coletivo? Podemos identificar, portanto, uma lacuna pedagógica a ser explorada. Um livro notável publicado pela editora Cambridge e denominado Meanings and metaphors tenta preencher, de alguma forma, essa lacuna. Confira o link para a compra do livro abaixo.
Contudo, esforços mais enérgicos precisam ser canalizados a favor da catalogação dos elementos que compõem a linguagem figurada de cada idioma a fim de facilitar o seu processo de aprendizado por parte, sobretudo, de aprendizes não nativos. Daí surgiu a ideia de criar Nemonic.
Um pequeno relato pessoal:
Há muitos anos, ainda numa fase mais tenra (iniciante / incipiente) do meu processo de aprendizado da língua inglesa, aprendi com meu professor de cursinho na época que os verbos frasais (phrasal verbs) eram arbitrários e aleatórios e não precisavam ser entendidos, somente memorizados.
Algum tempo depois, ao conversar com uma amiga da Irlanda, mencionei o termo phrasal verb. Ela imediatamente franziu o cenho em sinal de estranhamento.
“Nunca ouvi falar disso”, disse ela.
Prontifiquei-me então a exemplificar alguns phrasal verbs que conhecia. Mencionei “get over“, uma expressão que significa superar.
Ela retrucou:
“Mas get over é algo lógico, não tem nada de arbitrário nessa expressão.”
Fiquei um tanto intrigado com o que ela havia dito e lhe pedi para me explicar a lógica subjacente à expressão a que ela se referia.
“Quando estamos diante de um obstáculo na vida precisamos passar por cima dele. E é exatamente disso que a expressão fala: “get“, ficar, “over“, por cima de, simples assim” (ficar por cima = superar).
Nesse momento, entendi que se tratava de uma metáfora presente no imaginário coletivo dos anglófonos e que favorecia a compreensão e a memorização da expressão. Em seguida, me dei conta que minha língua materna, o português, também faz uso de várias metáforas a fim de compor a sua semântica conotativa. Por fim, me questionei: “por que isso nunca me foi ensinado?”.
Injetando “falsas memórias” de situações que nunca vivenciamos na língua alvo:
Já percebeu que muitas das palavras que você conhece em sua língua materna se fixaram na sua mente devido a momentos da sua infância que lhe foram significativos? Lembro que aprendi a palavra “ladrão” enquanto brincava com meus primos, uma memória feliz (que, curiosamente, me ensinou uma palavra negativa). Recordações são poderosos indutores no aprendizado de vocabulário, sobretudo se os momentos que o fizeram gravar uma determinada palavra ou emoção lhe foram emocionantes.
Quem nunca descreveu uma cena de filme, de série ou até mesmo de uma novela como “emocionante”? Quem não se emocionou com a morte de Mufasa ao assistir ao Rei leão quando criança?
Não é à toa que essas recordações perduram por tanto tempo em nossas mentes. Quando vinculamos um momento a uma emoção, nosso cérebro o memoriza de forma mais eficaz, pois entende que ele é importante (confira este artigo científico). Cenas de filmes e de séries criam “falsas” memórias de coisas que nunca vivemos. Essa associação tem o potencial de nos fazer lembrar de qual expressão usar num determinado momento de maneira imediata. Por que então não usar esse mecanismo a nosso favor no processo de aprendizado?
Ao fazer isso, transformamos a desvantagem de não ter vivenciado uma experiência imersiva real num determinado idioma numa vantagem artificial, de modo semelhante à ferramenta de upload de novas habilidades no cérebro imaginada no filme Matrix:
Um experimento científico publicado na revista científica Frontiers in Human Neuroscience (fronteiras na neurociência humana) relata ter conseguido gerar uma aceleração no processo de aprendizagem significativa em pessoas durante um treinamento para pilotos de avião (por meio de simuladores) com o uso de um aparelho de estímulo transcranial por corrente direta, ou tDCS (transcranial direct current stimulation).

Quem sabe, futuramente, seremos capazes de acelerar o processo de aprendizagem de um novo idioma por meio do uso dessa técnica associada a um programa de treinamento que utilize um brainstorm do conteúdo de Nemonic?
A ideia desta plataforma é justamente a de melhorar o índice de retenção do vocabulário recentemente adquirido por parte de estudantes de segundas línguas ao injetar “falsas memórias” de situações que nunca vivenciamos na nossa mente. A cena que inspirou essa ideia foi esta retirada do filme Dark City (Cidade das Sombras) lançado em 1998:
Exemplos presentes em cenas de vídeos + compreensão da linguagem figurada + truques mnemônicos diversos:
O grande barato dos truques mnemônicos é o fato de que podem ser tão criativos quando nossa mente queira. Trata-se do simples exercício da arte de realizar associações. Um dos mais disseminados truques mnemônicos é método dos loci, isto é, o método dos lugares, no qual construímos um palácio mnemônico em nossa mente e separamos os elementos que desejamos recordar dentro dos diversos cômodos contidos.

Esse método possui aplicações incríveis em diversos campos do conhecimento, especialmente nos que exigem a memorização de sequências.

Contudo, para a memorização de vocabulário (que não é necessariamente sequencial), outros métodos mnemônicos demonstram-se mais eficientes. O método da associação gráfica ou fonética apresenta-se, por exemplo, como um excelente aliado de quem está aprendendo uma nova língua. Quando palavras soam ou são escritas de maneiras parecidas como, por exemplo: chat (em francês), cat (em inglês) e gato (em português) a associação é executada pelo cérebro de maneira quase que automática e a semelhança entre as palavras, nesse caso, não consiste numa mera semelhança. Todas elas possuem a mesma raiz filológica. Mas muitas vezes essa técnica pode ser empregada até mesmo para associar palavras que têm origens completamente distintas, porém, que coincidem. A palavra coreana 둘 (Dul); que significa o número 2, por exemplo, embora não derive do italiano, due (dois), soa bem parecido. Podemos então usar essa associação mnemônica para decorar o numeral coreano. A palavra boastful (se gabando) em inglês também me lembra “metido a bosta” em português ainda que as origens de ambas as palavras difiram bastante. A conexão mental que faço me ajuda a recordar o significado da palavra original com base no seu som e na sua escrita. Manhas mnemônicas como essas não podem ser deixadas de lado ao longo do seu processo de aprendizado e devem ser ensinadas e compartilhadas.
Como utilizar a plataforma Mnemonic:
Assista o vídeo abaixo para entender como manejar a plataforma:
Com base nos princípios expostos acima, vinculamos cenas de filmes e letras de músicas a cada palavra ou expressão armazenada no nosso dicionário mnemônico, esses vídeos e músicas vão ajudá-lo a internalizar o significado de cada vocábulo aqui presente. Além disso, tentamos explicar o significado metafórico e a linguagem figurada por trás do vocabulário do modo mais lúdico possível.
Convido-o então a navegar pela expressão safe and sound por conta própria. Clique no link abaixo:
Espero que cada um dos tópicos acima tenham conseguido explicar de forma clara o funcionamento de Mnemonic e como esta ferramenta pode ajudá-lo a acelerar o seu processo de aprendizado. Seja bem vindo e se sinta convidado a explorar todos os recursos de que esta plataforma dispõe. Participe!